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Eleições 2026: PSOL com Lula e o papel da federação partidária

Publicado em: 24/02/2026

Atualizado em:24/02/2026

Eleições 2026: PSOL com Lula e o papel da federação partidária

Publicado em: 24/02/2026

Atualizado em:24/02/2026

O PSOL tem duas grandes tarefas em 2026: ajudar a reeleger Lula e manter uma bancada representativa no Congresso Nacional. A primeira tarefa é condição indispensável no enfrentamento à extrema direita, para a sobrevivência da democracia no Brasil, para o sucesso das políticas sociais que foram retomadas nos últimos três anos e para seguirmos lutando pelo socialismo. A segunda é necessária para superar a cláusula de barreira, manter nosso projeto partidário e fortalecer uma voz combativa e que apoie um programa democrático e popular eleito nas urnas, ainda que diante de um Congresso que poderá seguir dominado pelo Centrão e pelo bolsonarismo.

Diante dessas tarefas, surge o debate sobre uma possível federação com o PT, o PCdoB e o PV. Antes de tudo, independente do mérito, consideramos esse debate legítimo. Não chancelamos as narrativas que afirmam que os setores que defendem uma federação mais ampla já em 2026 querem “entregar o PSOL para o PT”, e tampouco aceitamos o debate feito a partir da lógica dos ataques pessoais, como aqueles feitos por um setor minoritário ao companheiro Guilherme Boulos, grande referência do nosso partido nos últimos anos.

Dito isso, consideramos que a melhor tática para nosso partido neste momento é a renovação da federação com a Rede Sustentabilidade.

Compreendemos que essa tática não compromete em nada a urgente e necessária tarefa de seguirmos ao lado de Lula. A ação determinada e combativa do nosso partido na luta contra o golpe, no enfrentamento ao bolsonarismo, na defesa do programa eleito em 2022, nas lutas sociais e nas pautas econômicas não só contribuem com o governo e com a disputa social e política como afirmam um lugar reconhecido da esquerda na sociedade. Também conferem ao governo um lugar de pluralidade dentro do campo progressista, e, dentro dele, ter o PSOL como um partido necessário para pautar debates importantes para a sociedade e de avanços na melhoria de vida do povo brasileiro.

O tempo em que o debate foi apresentado para uma nova federação não é adequado para promovermos uma discussão com mais qualidade, que possa considerar todos os elementos envolvidos e para que tenhamos condições de aprimorar a própria legislação que trata das federações e que, hoje, não traz qualquer salvaguarda democrática que proteja os partidos menores que optam por federar com partidos maiores.

Além disso, há outros aspectos políticos de fundo que precisam ser considerados, a saber:

a) Montagem das alianças estaduais: estamos há poucos meses das eleições e nossa tática, na maioria dos estados, já está em construção. Determinar, de cima para baixo, que nosso partido terá de apoiar candidatos a governador como Helder Barbalho (MDB), Rodrigo Pacheco (PSD) ou Eduardo Paes (PSD) poderia ter consequências altamente negativas.

b) Teríamos, forçosamente, de deixar de fora da disputa muitos candidatos a deputado federal e estadual. Hoje o PSOL e a Rede podem lançar, num estado como São Paulo, 71 candidatos a deputado e deputada federal. Numa federação mais ampla, serão as mesmas 71 vagas, mas para quatro partidos, incluindo um grande partido como o PT. Pensando em estados com menos vagas, a situação é ainda mais dramática.

c) Uma nova federação nos levaria a construir táticas eleitorais unitárias em 2028 sem critérios claros para a tomada de decisões. Isso pode impactar nossas chapas de vereadores. O PCdoB, por exemplo, perdeu 50% de seus mandatos entre 2020 e 2024 (de 702 para 354) e o PV cerca de 45% (de 813 para 488), além de cair de 45 para 14 prefeitos.

d) A legislação atual não prevê mecanismos de resolução de divergências claras entre os membros da federação. Todos sabemos que temos uma política de alianças distinta dos partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança. A lei é omissa e não temos tempo hábil para construir um mecanismo eficiente que previna crises no futuro.

Esses são apenas alguns aspectos que estamos levando em conta nesse momento e que nos leva a considerar essa discussão extemporânea. Ainda assim, sabemos que há uma preocupação legítima neste debate sobre a federação entre PSOL, PT, PCdoB e PV, que é a ameaça da cláusula de barreira. Nas eleições de 2026, a nossa federação deverá alcançar 2,5% dos votos nacionais para a Câmara dos Deputados e, adicionalmente, obter ao menos 1,5% dos votos para deputado federal em pelo menos nove Estados.

Em 2022, a Federação PSOL-Rede atingiu 4,2% dos votos nacionais, superando com folga o mínimo necessário e alcançou resultado superior a 1,5% dos votos para a Câmara dos Deputados em 14 Estados (AM, AP, CE, DF, ES, MG, PA, PE, RJ, RR, RS, SC, SE e SP), resultados que já seriam suficientes para cumprir a cláusula deste ano e até mesmo a de 2030.

No entanto, a conjuntura de 2026 não é exatamente a mesma de 2022, o desafio da cláusula de barreira é real, mas continuamos comprometidos com a sua superação.

Mas temos bases políticas concretas para superar esse desafio com uma ação unitária. Em 2024 nossa federação, e especialmente o PSOL, conseguiram em boa medida manter suas bancadas, até mesmo com ampliação em alguns municípios. O PSOL elegeu vereadoras e vereadores em 14 capitais. O partido segue como um dos que mais crescem, proporcionalmente, em número de filiados entre os partidos de esquerda e mantém seu protagonismo na política nacional, apresentando-se como uma alternativa real para lideranças de peso nacional que se incorporam a nosso partido, como Manuela D’ávila e Áurea Carolina.

O momento, portanto, é de fortalecer as chapas federais em todos os estados, trabalhando na ampliação, garantindo boas condições de financiamento dos deputados e deputadas em reeleição e viabilizando toda a visibilidade possível a nomes que possam ampliar nossa votação, como é o caso da companheira Erika Hilton em São Paulo. Tudo isso sem prejuízo aos debates táticos que estamos fazendo.

Por fim, o PSOL sairá forte desse debate se enfrentá-lo com a transparência e a franqueza que exige. Queremos um partido unificado, com suas figuras públicas verbalizando a necessidade de fortalecer a campanha pela reeleição de Lula e pelo crescimento de nossas bancadas. Queremos superar a cláusula de barreira, fortalecer um projeto de esquerda renovado com horizonte socialista, conectado às lutas e tarefas do nosso tempo.

Primavera Socialista

Brasil, 24/02/2026

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