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Sobre as polêmicas relacionadas ao debate de Federação e de construção partidária

Por Matheus Lima Sem federação o PSOL não vai superar a cláusula de barreira? É verdade que participar de uma federação junto com PT, PCdoB e PV eliminaria o risco […]

Publicado em: 04/03/2026

Atualizado em:04/03/2026

Sobre as polêmicas relacionadas ao debate de Federação e de construção partidária

Por Matheus Lima Sem federação o PSOL não vai superar a cláusula de barreira? É verdade que participar de uma federação junto com PT, PCdoB e PV eliminaria o risco […]

Publicado em: 04/03/2026

Atualizado em:04/03/2026

Por Matheus Lima

Sem federação o PSOL não vai superar a cláusula de barreira?
É verdade que participar de uma federação junto com PT, PCdoB e PV eliminaria o risco da cláusula porque caberia à federação atingir a meta. No entanto, em 2022, o PSOL superou a barreira com folga e atingiu a meta exigida para 2030. Desde então, o partido cresceu e as perspectivas de novamente superar a cláusula são favoráveis. Para aprofundar esta questão é importante também avaliar o empenho que cada setor do partido está tendo para construir uma tática de superação da cláusula.

A federação aumentaria a bancada do PSOL?
Numa leitura otimista é provável que sim. O partido poderia ganhar de três a cinco parlamentares federais. Responder essa questão depende de analisar o mapa eleitoral de cada estado e identificar onde o crescimento seria possível. Contudo, nos estados onde o PSOL tem mais parlamentares o resultado poderia ser negativo com a perda da última vaga para outro partido da federação. Mesmo que o PSOL possa vir a ganhar algumas cadeiras, é necessário ponderar se o custo político desse possível crescimento vale a pena.

A federação aumentaria a bancada dos partidos de esquerda?
Tendo como base a última eleição é possível dizer que na grande maioria dos estados a soma dos votos dos partidos não aumentaria as cadeiras conquistadas. Além disso, em alguns desses estados, a disputa pela última vaga se daria dentro da própria federação, o que poderia ser bom para o PSOL, mas seria um jogo de soma zero para a federação. Em alguns poucos estados, três ou quatro, poderia haver um ganho de uma vaga, o que é importante, mas, o saldo disso seria muito pequeno diante do tamanho da Câmara Federal. Na realidade, o argumento de federar para aumentar a bancada da esquerda é mais um recurso discursivo do que uma conta a partir das perspectivas eleitorais realmente existentes.

É preciso federar para contribuir com a reeleição de Lula?
Não. O partido caminha para aprovar sem divergências o apoio à reeleição de Lula (em 2022, parte do diretório defendeu lançar candidatura própria). Além disso, a bancada do partido é base de apoio do governo e dois de nossos parlamentares, Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, são ministros.

O PSOL poderia ter uma tática eleitoral diferente da federação?
Não. Os partidos federados são obrigados a ter uma ação unificada em todas as eleições. Por exemplo, se no Rio de Janeiro a federação decidisse por apoiar o Eduardo Paes, o PSOL seria obrigado a fazer o mesmo.

É possível negociar os termos da federação?
Sim. Todo processo político é dinâmico e cabe negociação. Ocorre que o PT é muito maior que o PSOL e o seu peso na negociação teria bem mais influência. Em diversos estados e municípios o PT tem uma política de composição com setores conservadores. O PSOL tem outra tática. Numa federação o PSOL não teria força suficiente para mudar a tática do PT.

Para conter a extrema-direita é preciso, às vezes, apoiar setores conservadores?
Sim. O PSOL tem feito isso no segundo turno de muitos lugares, como no Rio de Janeiro e no Pará, para ficar em dois exemplos. No entanto, não é necessário que isso aconteça desde o primeiro turno. Para o acúmulo de forças da esquerda é preciso, muitas vezes, ter candidaturas que marcam um campo político e apontam uma perspectiva. É verdade que há situações excepcionais, mas a exceção não pode se tornar a regra. Sem uma esquerda organizada nos territórios, inclusive eleitoralmente, não há como, de fato, enfrentar a extrema-direita.

Defender a federação é necessariamente querer liquidar o PSOL? Ser contra a federação é sectarismo?
Não e não. É possível defender a federação numa perspectiva de construção do partido. Assim como é possível avaliar que a federação não é a melhor tática para o PSOL e para o fortalecimento da esquerda neste momento. Divergências políticas fazem parte da vida de um partido democrático.

O tempo para o debate é apropriado?
Não. É uma decisão tática muito importante que demanda um processo organizado de debates dentro partido. Durante o primeiro semestre de 2025, o PSOL se dedicou à atualização programática e o tema da federação não apareceu. É frágil o argumento de que a questão está em pauta agora porque só recentemente o PT acenou com a proposta. O debate já poderia ter sido pautado no partido porque não se trata de uma novidade, mas de uma possibilidade desde quando o PSOL decidiu apoiar Lula no primeiro turno de 2022. Além disso, a opção de travar a disputa pela imprensa e pelas redes sociais aponta para a demarcação e não funciona como um convite ao debate, serve mais para coesionar um grupo do que para tentar construir um partido.

A disputa do sentido do PSOL
A polêmica em torno do tema da federação aponta para um debate mais profundo sobre a importância da construção partidária, não apenas de organização e de localização política, mas também do próprio sentido da existência do PSOL, dos seus limites e potencialidades. Que venham os debates!

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