sábado, 28 maio 2022

O neonazismo avança no Brasil

Chico Alencar

Núcleos neonazistas já são pelo menos 530 no país, segundo as polícias civis e os Ministérios Públicos estaduais. Esses grupos, em geral ainda pequenos, se espalham como um vírus letal, notadamente no Sul, Sudeste e, mais recentemente, Centro-Oeste.

Eles se articulam sobretudo pela internet. Compartilham “nostalgia” da Alemanha de Hitler, da Itália de Mussolini, da Espanha de Franco, do Portugal de Oliveira Salazar, das ditaduras latinoamericanas dos anos 60 e 70.

Não disfarçam seu supremacismo branco, seu racismo. Propagam o ódio aos negros, aos LGBTQI+, aos nordestinos (alguns são separatistas), aos “comunistas” (estão em toda parte, segundo eles: nas escolas, nas igrejas, nas famílias, até em setores do empresariado!). Odeiam judeus, desprezam muçulmanos. Quem não segue sua cartilha totalitária e obscurantista deve ser mais que contestado: eliminado.

Alguns “colecionam” armas, até mesmo da 2ª Guerra Mundial – em bom estado. Sem contar os cartazes, escudos e broches do Reich, do Duce. Misturam símbolos nazistas com a bandeira nacional, que também, hipocritamente, veneram.

Não é um raio em céu azul. Há uma cultura larvar extremamente conservadora e ultradireitista no Brasil, tanto que nos início dos anos 30 do século passado núcleos do Partido Nazista cresceram vertiginosamente entre nós, assim como a Ação Integralista Brasileira. Brasil e Argentina foram, na América do Sul, os locais mais escolhidos como refúgio de criminosos nazistas.

Aqui está sendo chocado, de novo, o ovo da serpente. Esses grupos, que às vezes têm partido para a violência física, cresceram 270% nos últimos três anos, que correspondem ao tempo do (des)governo Bolsonaro. NÃO É MERA COINCIDÊNCIA!

Combatê-los pressupõe investigação séria, punição dos crimes (liberdade de expressão não é liberdade de opressão!), ação efetiva das polícias e dos MPs.

A escalada neonazifascista exige, acima de tudo, consciência democrática organizada, fortalecimento dos movimentos antifascistas em todas as instâncias e instituições, ampla unidade contra esses que querem se impor pelo terror, pelo atraso, por atos abomináveis. Pela tática macabra dos “3 M”: mentira, medo e morte. RESISTAMOS!

Chico Alencar
Professor de História e vereador no Rio de Janeiro

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